A diretora continuava aguardando algumas crianças chegarem para dar início às apresentações... E cada vez a menininha se inquietava mais e mais e foi tanto remelexo naquele banquinho, que acabou caindo, socorri, ajudei a levantar-se e perguntei se havia se machucado, com um sorriso amarelo disse que não. Em menos de um minuto novo remelexo, dessa vez, acompanhado de suspiros, e os minutos iam passando, e a menininha cada vez mais nervosa, nem sombra daquela garota cheia de si, que orgulhosamente havia enfatizado a sua vinda “sozinha”. Olhei para ela e perguntei se estava tudo bem, era a deixa que ela precisava e respondeu em um clamor mais para si mesmo: Oh meu Deus, meu pai que não chega e eu vou apresentar. Falei para ela se acalmar, e arrisquei dizer que logo, logo, ele chegava e novos lamentos da menina comecei a ouvir: Oh meu Deus, oh meu Deus, no intuito de acalmá-la disse fique tranquila, está se desesperando atoa, de repente, seu pai já está até aí, é que tem muita gente, e pode ser que ele não tenha conseguido chegar até aqui! Foi como se eu tivesse jogado um grande feixe de luz em sua mente, ela gritou é mesmo mais que depressa virou se para trás e começou a procurar dentre aquela multidão e ao ver a esperança dos olhos dela ir se apagando, comecei a me arrepender da dica e do nada novo grito, agora de satisfação, os olhinhos brilhando e toda a confiança, novamente estampada naquele rostinho e com a voz embargada de emoção disse meu pai veio, ele veio, ele está ali, olha é o meu pai, nesse intermeio deram início às apresentações e a minha atenção se voltou para as crianças em cima do palco, no olhar de cada uma delas eu sentia a procura pelos pais e apesar de estar ali, minhas lembranças voltaram lá para aquele olhar do meu filho e doeu, doeu muito, como se já não tivesse passado tanto tempo.
Terminada aquela apresentação, foi a vez da turminha do meu filho subir ao palco, ele vestido de anjo todo lindo, não percebeu que eu estava ali, embevecida à contemplá-lo, tão perto, a menos de um passo dele, seu olhar se voltou lá pro cantinho no qual estávamos, procurava insistentemente e ao não me encontrar a aflição ia tomando conta de todo o seu ser, enquanto tentava chamar a atenção dele, meu coração ia se apertando, lembrando do dia que eu não estava... Levantei e aproximei-me com aquele único passo que nos separava, disse filho estou aqui, segurei o choro e voltei a sentar-me, dessa vez assisti toda a apresentação e assim que terminou aquela apresentação, voltamos lá pro cantinho, cedendo aquele lugar de destaque para os pais que naquele momento teriam os seus filhos no palco, dessa vez eis que aquela menininha, juntamente com os colegas subiu ao palco e o meu olhar involuntariamente se voltou para ela. Não preciso nem dizer, que ela brilhou como uma estrela Mor, encantando e contagiando a todos, mas cada gesto seu, cada sorriso, não era para aquela multidão, era para aquele pai, no meio de todo aquele aglomerado de pessoas, parecia haver só os dois.
Certo é, que àqueles pais que, sabem cultivar e cuidar do seu jardim, tem muito a ganhar, quer seja no campo da emoção, quer seja no respeito e zelo um pelo outro e toda a gama de coisas boas que as relações saudáveis de carinho e afeto entre as pessoas podem nos oferecer, e em se tratando dessa relação entre pais e filhos, devemos nos atentar, pois hoje elas são as crianças que estão sob os nossos cuidados, mas amanhã, os papeis se inverterão. E o que foi que nós plantamos? E o que esperamos colher?




