O Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) emitiu uma Notificação Recomendatória, no dia 12 de janeiro, determinando a interrupção imediata do recebimento de novas presas na Cadeia Pública Feminina de Arenápolis e a transferência urgente de 68 detentas excedentes, diante do quadro de superlotação e risco de motim.

Conforme a recomendação, assinada pelo promotor Phillipe Alves de Mesquita, a unidade prisional tem capacidade para 86 vagas, mas abriga atualmente 155 mulheres, excedendo quase o dobro do limite suportado.

A inspeção semestral realizada no segundo semestre de 2025 identificou irregularidades graves na unidade.

O MP destacou ainda que o aumento abrupto do contingente carcerário decorre da interdição de outras unidades femininas no Estado, o que concentrou o fluxo prisional em Arenápolis e Nortelândia.

A situação é agravada pelo registro recente de motim em Nortelândia e pela presença confirmada da facção criminosa Comando Vermelho (CV) na unidade de Arenápolis, elevando o risco à segurança das servidoras e das custodiadas.

Na recomendação, o MPMT notificou a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus-MT) e a direção da unidade para suspender imediatamente novas entradas até que a população seja reduzida ao limite; transferir, em até 15 dias, 68 presas para outras unidades com vagas e condições adequadas; e responder formalmente em cinco dias, com comprovação dos atos adotados.

O órgão advertiu que o descumprimento pode levar à interdição total da unidade e à responsabilização cível, criminal e administrativa dos gestores.