As cooperativas de materiais recicláveis em Mato Grosso são responsáveis por retirar, em média, 620 toneladas de resíduos por mês do meio ambiente, segundo pesquisa divulgada pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado de Mato Grosso (Sebrae/MT). O estudo revela, contudo, que metade dessas cooperativas coleta cerca de 79 toneladas mensais, refletindo as diferenças de estrutura e capacidade operacional entre elas.
Ainda, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), o Brasil produz 82 milhões de toneladas de resíduos por ano, mas apenas 5% desse total é reciclado, um índice que dificulta o avanço para uma economia sustentável e de baixo carbono.
Para ampliar o impacto desse trabalho e apoiar os catadores, o Sebrae lançou o Programa Pró-Catadores, que incentiva a profissionalização e a gestão sustentável das cooperativas. A iniciativa atende dez municípios mato-grossenses, entre eles, Tangará da Serra, onde o projeto tem se destacado pelo fortalecimento da Cooperativa de Produção de Material Reciclável de Tangará da Serra (Coopertan), cooperativa que reúne 62 trabalhadores diretamente envolvidos na coleta e separação de materiais recicláveis.
A coordenadora da agência do Sebrae em Tangará da Serra, Sílvia Fraga, explica que o programa atua em várias frentes, desde a capacitação em gestão financeira e liderança até o apoio logístico.
“Estamos com um trabalho de gestão financeira, trabalhando a parte da liderança, entendendo também o processo logístico da cooperativa, porque entendemos que o Sebrae tem condição de contribuir com a Coopertan para, cada vez mais, fortalecer a atuação dela no nosso município e na nossa região”,
afirma.
De acordo com o Sebrae, 48% das cooperativas no estado apontam falta de apoio do poder público como o principal obstáculo para manter as atividades, enquanto 37% citam a escassez de mão de obra. O Pró-Catadores busca reduzir esses gargalos ao promover ações de inclusão social e produtiva, além de orientar prefeituras na formulação de políticas públicas de reciclagem.
Em Tangará, o projeto vem reforçando a importância da sustentabilidade e da economia circular, aproximando cooperativas, catadores, poder público e comunidade.
“A questão do resíduo não é só uma necessidade das cooperativas, do catador ou do próprio município, mas da população, porque isso vai impactar direto na nossa sustentabilidade, na sobrevivência das pessoas. Precisamos fazer a nossa parte para que possamos deixar o mundo melhor para os nossos filhos e netos”,
destaca Sílvia.
A pesquisa foi realizada entre 4 de julho a 2 de agosto de 2025, por meio de entrevistas telefônicas e presenciais com 293 cooperativas e oito prefeituras em Mato Grosso. O estudo apresenta taxa de confiança de 95% e margem de erro de 4%.




