Liraa aponta que Tangará está classificada em risco moderado para dengue

Embora Tangará da Serra esteja passando por um período de escassez hídrica, quando as chuvas ainda não ocorrem de forma rotineira e em grande volume, o Município já se encontra em risco moderado para a dengue, segundo aponta o Levantamento Rápido de Índices para o Aedes aegypti (LIRAa), realizado no mês de outubro. O LiRAa é uma metodologia que permite o conhecimento de forma rápida, por amostragem, da quantidade de imóveis com a presença de recipientes com larvas de Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, chikungunya, febre pelo vírus zika e febre amarela.

“No LIRAa até 1 é normal e, de 1 até 3.9 é risco médio”,

informa o supervisor de campo da Vigilância Ambiental, Elias Duarte.

O que causa estranheza e chama a atenção é que temos vivido dias com temperaturas extremamente altas que não tem impedido a proliferação do mosquito. Uma das possibilidades aventadas pelo supervisor, é que o mosquito tenha colocado suas larvas nesses locais, aonde permanece por até um ano e, ao contato com a água, eclode rapidamente. Se levarmos em consideração essa população de ovos e as chuvas que se avizinham, temos um cenário propício para que Tangará da Serra evolua dessa posição para uma muito pior, que é a de epidemia.

Essa possibilidade tem deixado o setor de endemias bastante preocupado, pois as previsões climáticas apontam que essa semana as chuvas devem cair sobre a região, tornando-se rotineira inclusive.

“De 3.9 para frente corremos o risco de ter uma epidemia”,

alerta Elias, ao informar que, nesse período e com essas condições de clima quente e falta de chuvas, a classificação deveria ser outra.

“Era para nós estarmos em mais ou menos 0.5, 0.6 mas, estamos em 2.1, num risco médio”,

revela.

“Por isso nós orientamos os moradores a ficarem alertas, olhar bem o quintal, as caixas d’água e, quando for limpar [as caixas d’água], lavar bem para não deixar criar o Aedes dentro da sua casa”,

alerta Elias.

“Temos um número alto de casos de Dengue”, alerta setor

Como preconiza o Ministério da Saúde, o Levantamento Rápido de Índices para o Aedes aegypti (LIRAa) acontece a cada 90 dias e possibilita aos gestores a avaliação das atividades já desenvolvidas e o redirecionamento das ações de controle do vetor, além de indicarem os depósitos mais utilizados pelo vetor para postura dos ovos. O LIRAa é, também, uma importante fonte de informação para a mobilização social, uma vez que busca sensibilizar e direcionar o olhar da população para os problemas identificados na sua área, a fim de que sejam adotadas medidas de prevenção das doenças transmitidas por este vetor.

Durante sua realização em Tangará da Serra, em vários bairros da cidade foram encontradas número substancial de larvas do mosquito, como por exemplo, no bairro Buritis. Com o levantamento que enquadra Tangará no ‘risco moderado’, surgiu a preocupação com as chuvas que devem iniciar essa semana, mas muito além disso, com os reservatórios que estão sendo usados por boa parte da população em decorrência da crise hídrica pela qual passa o Município.

“Temos um grande número de caixas e recipientes em que a população está armazenando água e, isso pode aumentar exponencialmente os criadouros”,

destaca Elias Duarte, supervisor de campo da Vigilância Ambiental.

“Pode juntar água, mas estar alerta e lavar sempre as caixas para não deixar os ovinhos ali. Só repor a água sem lavar a caixa não adianta”, reforça Elias. “Já temos um número alto de casos de dengue”,

alerta.

De acordo com o Informe Epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde, da Semana Epidemiológica – 01 a 41, em Tangará da Serra são 936 notificações de dengue, com risco de classificação Alto.

Já no Estado de Mato Grosso são 42.721 casos notificados (24.301 confirmados), 16 óbitos confirmados e 9 em investigação.