A grilagem de terras no Assentamento Antônio Conselheiro, em Tangará da Serra, é novamente objeto de denúncia, desta vez pelos próprios assentados. O caso foi comunicado no Sindicato dos Trabalhadores Rurais e na Câmara Municipal.
As invasões ocorrem desde ano passado, quando um grupo de grileiros invadiu áreas de reserva no Assentamento Antônio Conselheiro, promovendo queimadas e usando máquinas para fazer as derrubadas.
Segundo revelado por um denunciante, pelo menos 23 famílias já estariam ocupando a área dentro do Assentamento. A área estaria sendo loteada em pequenas chácaras, num processo liderado por um homem que recebe R$ 500,00 a título de inscrição por cada chácara, para o interessado ter a posse da terra.
“(…) Você paga o valor da inscrição e você já tem a terra… Já estamos com 93 famílias… há um ano lá dentro”, confirma um áudio,
que seria do articulador, garantindo que a ocupação é feita pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
“Te dou o recibo da inscrição e o papel do Incra. Tem que fazer o cadastro pelo Incra”, acrescenta a voz.
Os denunciantes pedem às autoridades, mediante abaixo-assinado, a desocupação das áreas de reserva e a titulação dos lotes. Há um clima de tensão no entorno da área ocupada. As autoridades do município e, também, do Estado – através da Sema-MT – e o próprio Ministério Público estão cientes da situação.
A redação teve acesso, através de um denunciante, de um recibo e de uma ocorrência acusando o articulador de cortar cercas de propriedades, permitindo a fuga de gado dos assentados, causando prejuízos. Numa destas fugas de animais, houve acidente envolvendo um automóvel.
Em outro áudio consta a informação de que a área seria de um assentado que teria desistido da terra, dando baixa junto ao Incra. A voz do áudio assegura que o processo é todo feito pelo Incra e que, inclusive, teria ocorrido uma reunião numa unidade do órgão na cidade de Diamantino.
“É tudo certinho, feito pelo Incra, não nada de estar invadindo, não… Já fizemos umas três reuniões com o Incra, em Diamantino”, diz a voz.
A redação tentou contato por telefone com a superintendência do Incra de Mato Grosso, mas as ligações não foram atendidas. A redação encaminhou, então, e-mail ao superintendente Marcos Vieira da Cunha, com cópia para a substituta Marina Souza, e aguarda resposta.




