O crescente número de acidentes com ônibus de viagem nas rodovias do Estado tem preocupado a Agência de Regulação dos Serviços Públicos de Mato Grosso (Ager-MT), que criou um grupo para debater soluções e intensificar a fiscalização do serviço de transporte de passageiros.

O presidente da Ager, Luiz Alberto Nespolo, afirmou que os acidentes com ônibus nas rodovias de Mato Grosso estão acontecendo, muitas vezes, como consequência do excesso de caminhões nas estradas e da falta de estrutura na malha rodoviária. Só neste ano, pelo menos 15 pessoas já morreram em acidentes envolvendo ônibus de viagem nas estradas do Estado.

“Quando vier a ferrovia, muitos caminhões, principalmente os germinados, irão sair da malha rodoviária. Isso vai aliviar as rodovias e fazer com que a tensão de ultrapassagem diminua. Além disso, alguns trechos da rodovia precisam crescer, com dupla pista, acostamento ou espaço para ultrapassagem naqueles pontos sensíveis, onde as pessoas ficam tensas”,

explicou.

No último domingo, 12, três pessoas morreram após um acidente entre um carro de passeio e um ônibus na Estrada da Guia (MT-010). No dia 06, sete pessoas morreram em um acidente de ônibus na BR-174, na região de Cáceres. Conforme a Polícia Rodoviária Federal (PRF), houve uma colisão frontal após um caminhão carregado de frutas e verduras invadir a contramão e atingir um ônibus da Empresa Matriz.

Em janeiro deste ano, outras quatro pessoas morreram em acidente entre ônibus e caminhão de carga na BR-163, em Diamantino. Outras 40 pessoas ficaram feridas. A suspeita foi uma ultrapassagem irregular. Uma semana depois, um motorista morreu e seis pessoas ficam feridas em batida entre ônibus e carreta na BR-163, em Nova Mutum.

Segundo Nespolo, as fiscalizações têm se intensificado para tentar mitigar o problema.

“Criamos uma Câmara Técnica preocupada com esse número, que cresceu principalmente do final do ano para cá, no transporte de passageiros. Não dá para atribuir a apenas uma causa. Vamos trabalhar em conjunto com as concessionárias e outras autoridades para fazer fiscalização da jornada de trabalho, para saber se está dentro do limite, se há uso de substancias ilícitas, como está o uso do seguro obrigatório com o registro na Ager”,

afirmou.

Ele salientou que as fiscalizações preventivas e de regularização inspecionam inclusive o sistema de freios dos ônibus, para saber quantos metros o veículo ainda se desloca até que, de fato, pare. Ele explicou, ainda, que a Ager enviou um ofício à Delegacia de Trânsito para que seja feito o levantamento de dados dos pontos mais sensíveis onde estão acontecendo mais acidentes para que as fiscalizações e o foco esteja nesses locais.