Na presença de pais, amigos e familiares aproximadamente 200 alunos da Escola Militar 1º Tenente Salomão Fernandes Ferreira Piovesan em Tangará da Serra fizeram o ‘batismo’, assim chamado, na tarde de sexta-feira, 10. Trata-se de um rito de passagem em que os alunos deixem de usar a camiseta branca e a calça jeans e passem e usar a farda. Esse é o período adaptação pelo qual passam assim que ingressam na unidade escolar/militar.

“O chamado ‘período de adaptação’ é o momento em que eles aprendem coisas básicas do militarismo, tais como pronomes de tratamento, significado dos símbolos, aprendem sobre sua apresentação pessoal, hinos, canções (…) aprendem a marchar, a prestar continência… em resumo, aprendem a ‘serem militares’ (…) se portarem de forma marcial. Depois de adquirirem esses conhecimentos básicos, aí sim, aí eles podem vestir farda para andarem pela cidade representando o ‘colégio Militar’”,

explica a diretora da escola, Tenente-Coronel PM Nágila de Moura Brandão.

A cerimônia de batismo acabou lotando a rua em que os alunos foram perfilados para que os bombeiros do alto do caminhão dessem o banho que simboliza a passagem de farda.

“O batismo é um momento lúdico, onde os profissionais presentes no corpo disciplinar preparam eles para estarem diante de suas famílias demonstrando o que aprenderam”,

informa a diretora, ao salientar toda a emoção vivida tanto pelos alunos quanto pelo corpo docente da unidade.

Para a Tenente-Coronel, embora ainda aja algumas reservas quanto a uma mulher à frente de algum comando, em Tangará da Serra isso não aconteceu, porque ela sempre se sentiu imensamente abraçada por todos da escola.

“Há um olhar de estranheza no início, em verem uma mulher no papel de ‘comandante’, mas fui muito bem recepcionada pelos alunos e alunas, pelos profissionais da escola e pelas famílias dos alunos. Creio que estejamos aqui educando o olhar de todos”,

ressaltou a diretora.

FORMAÇÃO DE VALORES

Autoridades locais ressaltam importância de Escola Militar para Tangará

O batismo aconteceu na frente da Escola Militar 1º Tenente Salomão Fernandes Ferreira Piovesan e contou com a presença do Tenente-Coronel Murilo Franco de Miranda, que assim como a diretora da escola, Tenente-Coronel Nágila de Moura Brandão, está em Tangará da Serra há pouco tempo, mas já teve infelizmente contato com crimes bastante cruéis envolvendo menores no Município.

Diante desse quadro, o Comandante do VII Comando Regional salientou a importância da escola na cidade.

“Nós temos uma preocupação muito grande com os nossos menores e muito mais do que as atividades da escola Tiradentes, nós temos também os projetos sociais como o Projeto Tatame desenvolvido no 19º Batalhão e serve justamente para trazer um pouco de prática esportiva, uma atividade de prevenção e muito mais que isso, formar um menor para que ele alcance a maior idade como um cidadão de fato, consciente dos seus deveres e direitos, mas muito mais que direitos, deveres”, frisou o comandante.

Na solenidade estiveram presentes também os vereadores Edmilson Porfírio, Davi Oliveira, Sebastian Ramos, Nivaldo Leiteiro, Eduardo Sanches e Ademir Anibale, bem como o presidente da Câmara Municipal Romer Japonês, que ressaltou a importância da escola para o Município.

“Para nós é um prazer termos em Tangará da Serra uma escola tão importante que tem ajudado a construir valores nos nossos adolescentes”, frisou.


DIFERENTES, MAS IGUAIS

Disciplina aliada ao amor que transforma vidas

Durante a solenidade de batismo não era nada incomum ver rostinhos emocionados de pais, alunos, irmãos e professores.

Em meio a quase 200 alunos que fizeram a troca do uniforme, alguns que iniciaram os estudos na unidade em 2023 e outros ainda em 2022, encontramos diversas histórias com inícios diferentes, mas com momentos presentes totalmente iguais. Uma dessas histórias é de Ana Luíza Kist Salgueiro, de 15 anos que iniciou os estudos na unidade em janeiro, e entrou na escola porque quis, sendo seu desejo coincidido com o dos pais e ela entrou feliz na unidade.

“É um sentimento mágico que a gente sente. (…) Não tem como descrever em palavras o que eu sinto de estar numa escola militar e ser uma aluna militar Tiradentes”.

A outra aluna Tiradentes é Júlia Gabrielly Pacheco do Nascimento que entrou na unidade por incentivo dos pais, mas que não tinha essa entrada como meta. Foi quase que a contra vontade como ela mesma destaca.

“Eu vim porque a minha mãe quis, mas eu pensava que aqui era muito chato”, revela.

Na cabeça de Júlia, na unidade ela encontraria muitos ‘nãos’ e severidade extrema, mas se deparou com algo diferente.

“Percebi que é completamente diferente do que eu pensava. No começo eu não gostava muito não, mas depois desse batismo eu vi que muita coisa mudou na minha vida”, pontua a adolescente.

As histórias começaram por meios diferentes, mas tem até aqui desfechos iguais.

“Aqui recebi muito amor e carinho, não sei nem explicar”, diz Júlia, emocionada e com lágrimas nos olhos ao olhar a mãe que a incentivou.

Já Ana Luíza, que sabia o que queria desde o começo, convida àqueles que tem barreiras como Júlia a mudar sua visão.

“Quanto mais cedo eles mudarem a opinião deles, melhor, porque aqui é simplesmente mágico”.