É com grande entusiasmo que inicio este espaço de diálogo com você, leitor. Como psicóloga e sexóloga, com 15 anos de trajetória clínica, dediquei minha carreira a escutar as muitas histórias, e tive a honra de fazer parte de incríveis transformações. Ao longo dessa caminhada, aprendi algo essencial: a saúde mental raramente depende apenas de grandes e abruptas mudanças. Na verdade, ela nasce da forma como habitamos nossa rotina, nossos relacionamentos e, principalmente, da relação que construímos conosco.

Chego a este espaço com o desejo de refletir sobre dimensões que, na prática, formam um sistema indissociável: a carreira, a vida familiar e a nossa qualidade de vida individual. Elas não funcionam de maneira isolada. Quando uma dessas áreas entra em colapso, as outras inevitavelmente sentem o impacto. E, para essa estreia, e aproveitando o mês da mulher, escolhi um tema que considero o alicerce de qualquer trajetória de sucesso: o autocuidado como expressão de autorresponsabilidade.

Existe uma cena muito comum que acompanho no consultório. A agenda está cheia: compromissos que parecem não ter fim. No meio desse turbilhão, raramente aparece um compromisso genuíno consigo mesma. E quando esse espaço finalmente surge, seja uma atividade física ou um simples momento de silêncio, surge também o peso da culpa: “Será que não estou sendo egoísta?”.

A grande maioria das mulheres foi ensinada a ocupar o papel de cuidadora da família e jamais se colocar em primeiro lugar. E aí surge o grande problema: “quem cuida do cuidador?”. Quando funcionamos permanentemente no limite, deixamos de oferecer presença e passamos a oferecer apenas o que sobra de nossa exaustão.

Por isso, o autocuidado precisa ser uma prioridade. Ele não é um luxo, ou um ato de egoísmo. É, na verdade, a sua grande responsabilidade! Afinal, só você pode fazer isso por você. Quando uma mulher assume o compromisso de cuidar de si, ela também está protegendo tudo e todos que precisam da sua presença, seja a sua carreira, ou a vida familiar.

A pergunta mais importante que você deve se fazer hoje é: “O que acontece se eu continuar vivendo permanentemente no limite?”.

Afinal, a qualidade das suas relações e a eficiência no seu trabalho começa, inevitavelmente, pela qualidade da relação que você tem mantido consigo mesma.

Bem-vinda à minha coluna e vamos juntos nessa nova aventura!

Ana Flávia Nienov
Psicóloga e Sexóloga
@anaflavianienov