Diário da Serra

Seu Romoaldo: Desbravador paulista com coração matogrossense

Lucélia Andrade/ Redação DS 27/06/2019 Memória

Nasceu na cidade de Olímpia, estado de São Paulo no dia 2 de novembro de 1927,

Seu Romoaldo

Desbravador paulista com coração matogrossense

Renualdo Ciryllo Denadai, ou simplesmente ‘Seu Romoaldo’, foi um dos pioneiros que mais se dedicou na função de desbravar Tangará da Serra. Filho de imigrantes italianos, Bernardo Denadai e Carolina Zambalde Denadai, ele nasceu na cidade de Olímpia, estado de São Paulo no dia 2 de novembro de 1927, vindo de uma família de oito irmãos.


Seu Romoaldo viveu sua infância em terras paulistas. E não demorou muito tempo para começar a ajudar seu pai na roça da família. Seu Bernardo, o pai de seu Romoaldo,  tinha uma pequena propriedade onde cultivava lavoura de café, arroz e milho. Era ali onde pai e filho tiravam o sustento da família Denadai.  


O tempo passou, seu Romoaldo foi crescendo e no decorrer dos anos, conheceu e se apaixonou por Dona Leomilda. O amor e carinho entre os dois era muito e por isso decidiram se unir em matrimônio. No ano de 1951 casou-se com Leomilda, a Milda, como era carinhosamente chamada. Pouco tempo depois, nasceu sua primeira filha, Maria Carolina e logo após veio o caçula, Adão.  Seu Romoaldo abriu um açougue, onde trabalhou por um tempo. Na mesma época  se uniu aos irmãos Emílio e Paschoal e comprou cereais. Depois, decidiu conhecer Mato Grosso porque na época ouvia muito falar do nosso estado, que prometia ser promissor. Entre as várias cidades, escolheu Tangará da Serra, por ter um solo de alta capacidade produtiva e clima favorável. Chegou no município em janeiro de 1970, aos 42 anos de idade.


O desbravador paulista, mas de coração mato-grossense começou a concretizar seu sonho e adquiriu sua primeira propriedade rural,  localizada na estrada da Palmital, na Gleba Assay. Em homenagem a seu pai, ele denominou o local como Fazenda São Bernardo. Com tudo pronto, decidiu trazer  esposa e filhos para Mato Grosso.   


Para começar sua jornada, seu Romoaldo adquiriu um trator, sendo o primeiro da região. Na época, Tangará da Serra ainda pertencia a Barra do Bugres  e o acesso era bem difícil, já que não tinha estrada.   


Quando seu Romoaldo comprou suas propriedades em Tangará, eram todas em mata. Ele então ‘arregaçou as mangas’, e com muita determinação e garra, desbravou a mata fechada, transformando-a em pastagem e área para plantio de café. Primeiro, formou uma lavoura de 60 mil pés de café. O trabalho era duro, cansativo, mas seu Romoaldo nunca desanimava. Ele contava ainda com a ajuda do filho, o Adão. Continuando com seu instinto desbravador, ele adquiriu uma nova propriedade: Fazenda Bandeirantes, localizada na Gleba Bandeirantes. Lá ele decidiu investir na pecuária, outra paixão de sua vida.  


As laranjas doces de Seu Romoaldo

Apaixonado pelo trabalho e muito ousado em tudo que fazia.  Não bastasse o café e a pecuária,  no ano de 1979, ele  decidiu diversificar e então começou trabalhar  no ramo de citricultura, plantação de laranjas. Com isso se tornou o pioneiro do estado de Mato Grosso no plantio da fruta. Na propriedade tinha 17 mil pés de laranja. Iniciou ainda o cultivo de um viveiro de mudas de laranjas com certificado do Ministério da Agricultura. Além das laranjas, seu Romoaldo plantou  também em sua fazenda, manga, limão e poncã.  


Diante da grande produção de laranja, no ano de 1984, seu Romoaldo, adquiriu uma máquina de lavar, polir e classificar as frutas, o que foi essencial para auxiliar no abastecimento do mercado local, além das capitais, Cuiabá, Vilhena e Manaus.


A produção cresceu e seu Romoaldo precisava de mão de obra.  Ele contratou 80 pessoas para trabalhar com ele e construiu uma colônia de casas, na qual moravam 24 famílias. Renda e moradia, ainda não era suficiente para o paulista com um grande coração, ele pensou na educação das crianças que ali moravam. E por isso construiu uma escola e disponibilizou para o Município, que atendia crianças e também adultos, que não sabiam ler e escrever. Montou campo de futebol incentivando o lazer de seus funcionários e moradores da região com frequentes campeonatos.  Com característica marcante de um desbravador, Seu Romoaldo,  queria muito mais. No ano de 1983, participou ativamente e lutou pela abertura da Estrada da Palmital, sempre em busca de melhorias para Tangará da Serra.


Ativo e participativo na comunidade 

Católicos e devotos de Nossa Senhora, Seu Romoaldo e dona Milda construíram uma igreja na entrada da fazenda Bandeirantes.  A igreja atendia toda a região com missas frequentes.  E hoje ainda é conhecida  como ‘igrejinha’, por pessoas  que pedalam pela região. O local inclusive já foi cenário para ensaios fotográficos. Muito popular, por suas festas, a fazenda ficou conhecida como ‘Biquinha’. Ele sempre fazia questão de participar e colaborar com as festas das comunidades vizinhas.


1ª Festa do Peão  

Apaixonado por rodeio seu Romoaldo participou da formação da comissão organizadora da 1ª Festa do Peão de Tangará da Serra,  que aconteceu na escola 29.  Participou na sequencia,  da fundação do Sindicato Rural e do  Parque de Exposições de Tangará.


Empreendedor nato, pois estudou até a 2º ano  do primário, viu oportunidade de mais uma vez ser pioneiro de Tangará. E aproveitando a proximidade com festas do Peão e Sindicato Rural,  iniciou a criação de Cavalos Manga Larga  recebendo várias premiações. Também foi pioneiro na criação de carneiros da região.


Lutas e saudade

Com o passar dos  anos, a área de café foi desativada em virtude na queda da produção e o clima da região não foi apropriado para a citricultura, tendo que abandona –lá.  Seu Romoaldo, decidiu então priorizar a pecuária. Por amor à vida  no campo permaneceu residindo por muitos anos na Fazenda São Bernardo, lugar no qual contemplava com admiração. No ano de 1996 mudou-se efetivamente para a cidade com sua  esposa.


No dia 2 de janeiro de 1997, seu Romoaldo, depois de lutar por cinco meses contra um câncer no pâncreas, morreu com 70 anos de idade, deixando saudade e um grande exemplo.


E assim depois de tantas histórias de lutas e conquistas, seu Romoaldo recebeu uma homenagem da Câmara de Vereadores. A estrada do Ararão na Gleba Assay, passou a se chamar oficialmente Estrada Renualdo Ciryllo Denadai.
 



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