Diário da Serra

RECUPERAÇÃO HÍDRICA – Revitalização da nascente do Queima Pé mostra resultado e garante regularidade no abastecimento

Sergio Roberto / Enfoque Business 18/07/2025 Geral

Produção de água é de 743.040 litros por dia na nascente

Imagem da nascente do Queima Pé em 12 de julho

Revitalização da nascente do Queima Pé mostra resultado e garante regularidade no abastecimento

Quatro anos após o início de um abrangente projeto de recuperação ambiental, a nascente do rio Queima Pé, em Tangará da Serra, se consolida em sua recuperação hídrica. A constatação vem da última medição da sua vazão realizada neste mês de julho pelo consultor ambiental Décio Eloi Siebert, diretor do Instituto Pantanal Amazônia de Conservação (IPAC).

O Queima Pé, vale lembrar, é o principal manancial de abastecimento de água para consumo da população de Tangará da Serra. Na semana passada, Décio constatou que a produção de água é de 743.040 litros por dia na nascente, equivalente a 4,72% da necessidade diária de abastecimento da zona urbana do município.

Os dados são animadores diante do histórico de declínio da vazão percebido em anos anteriores a 2022. Conforme testemunhado pela redação, a recuperação da nascente é resultado direto das ações executadas em 2021 pelo IPAC, com recursos do Ministério Público Estadual e de empresas privadas, e apoio da Prefeitura Municipal, Samae, Sema-MT, CBH Sepotuba, Rotary Club, Sindicato Rural e outras entidades da sociedade civil organizada.

“A nascente do Queima Pé foi devolvida ao município em condição de vitalidade. A água voltou a brotar com força, e isso é fruto de trabalho técnico, articulado e com responsabilidade ambiental que estamos apresentando em números”,

destacou Décio Siebert, responsável pelas medições.

  • Resultado da revitalização:

A vazão de 743,04 m³ ocorre neste mês de julho, considerando que a última chuva – de média aproximada de 40 milímetros – ocorreu em 23 de junho. Esta vazão tende a aumentar entre os meses de dezembro e março, chegando a triplicar no terceiro mês do ano. Ou seja, a vazão no mês de março supera a marca dos 2.000m³/dia.

Para compreender melhor o resultado dos trabalhos de revitalização, basta recordar o período de estiagem em 2024. No ano passado, as chuvas cessaram em meados de abril e retornaram somente em outubro. Ou seja, foram mais de seis meses sem chuvas, com altas temperaturas registradas no último quadrimestre ano ano.

Por outro lado, a partir de outubro e até o mês de junho, as chuvas superaram em boa os 2.000 milímetros em volume. As fartas precipitações da temporada chuvosa passada, portanto, contribuíram muito para a atual vazão da nascente principal do Queima Pé.


“Essa nascente já foi considerada tecnicamente morta”

Com uma população urbana estimada em 102.267 pessoas, a demanda diária de água no perímetro urbano de Tangará da Serra é de aproximadamente 15.749 m³/dia, considerando o consumo médio nacional de 154 litros por habitante (dados da ANA e do SNIS).

A atual vazão da nascente do Queima Pé – 743,04 m³/dia – representa pouco menos de 5% dessa necessidade, mas com um valor estratégico relevante. Trata-se do retorno à vida de um recurso natural historicamente pressionado pelo uso desordenado do solo, erosões e assoreamento.

Décio Siebert observa que o índice de 4,72% da demanda de consumo local é de apenas uma nascente, o que, segundo ele, é um dado expressivo e que deve ser festejado.

“Se uma única nascente responde por quase 5% da demanda de uma cidade de mais de 100 mil habitantes, imagine se revitalizássemos as outras 13 nascentes mais importantes da bacia do Queima Pé, localizadas a montante da ETA [Estação de Captação, Tratamento e Distribuição de Água]!”,

ressalta o consultor do IPAC.

Siebert releva a importância dos trabalhos de revitalização realizados em setembro e outubro de 2021 e que hoje seguem em outras nascentes, como a do Córrego Cristalino, nas proximidades do Anel Viário.

“É um percentual ainda tímido frente à demanda total da cidade, mas muito expressivo do ponto de vista ambiental. Essa nascente já foi considerada tecnicamente morta. Hoje ela responde com regularidade”,

reforçou.

O projeto foi coordenado pelo Instituto Pantanal Amazônia de Conservação (IPAC) em parceria com a Prefeitura de Tangará da Serra, com recursos do Ministério Público Estadual e de empresas privadas  e apoio do Samae, SEMA-MT, CBH Sepotuba, Rotary Club, Sindicato Rural e outras entidades da sociedade civil organizada.



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